Lembro a ordem exata dos acontecimentos: vi luzes coloridas no céu, a campainha tocou e um saco vermelho apareceu na porta de casa. O que mais poderia ser em plena véspera de Natal? Papai Noel, obviamente, passou voando no trenó iluminado, chamou o elevador do prédio e deixou nossos presentes. Ele saiu sem dizer ‘oi’, mas nem liguei. O importante era o que estava dentro do saco!

Por muitos e muitos anos, o Natal significou, para mim, muita expectativa para saber o que estava nos pacotes. Quantas e quantas vezes eu e minha irmã aproveitamos a ausência dos nossos pais para espiar os presentes no armário. Não podíamos mexer em nada, mas matar a curiosidade era suficiente. Natal era isso: ganhar coisas. Nunca liguei muito para a comida natalina, então nem isso competia com a ansiedade pelos presentes.

Meu primeiro Natal depois de formada, com um emprego de verdade, também foi uma loucura. Andava no shopping louca atrás de mais e mais sacolas. Eu era muito nova, tinha poucos gastos e nenhum plano para o futuro, então gastava sem dó. Acho que nunca dei tantos presentes na vida! Só não comprei mais porque recebia salário de iniciante (claro!) e tinha um limite.

já pensou em ter um

O tempo passou, eu percebi que estava acumulando muitas coisas e entrei na fase do destralhe. Aquilo me fez tão bem que não faria sentido voltar a consumir como antes. Reduzia as compras ao longo do ano, mas sempre chegava a hora do Natal. A lista de presenteados foi diminuindo ao longo dos anos, assim como a cota de gastos para cada presente.

Virou uma obrigação. Eu tinha que comprar algo para a minha irmã porque sabia que ganharia um presente dela. Mesmo que meu pai estivesse com o closet lotado, eu precisava comprar uma camisa nova para não chegar de mãos abanando no jantar do dia 24.

Até que um dia minha vó me devolveu os presentes que eu tinha comprado para ela nas últimas datas comemorativas. Ela disse que não precisava de nada daquilo e que seria mais útil para mim, já que estou montando minha casa. Em vez de me ofender, fiquei muito feliz! Aquilo realmente me ajudou a montar o enxoval e a perceber que minha vó não estava preocupada com presentes. Ela só queria passar o Natal com a gente!

Pensei muito sobre isso e, conversando com a minha irmã, tomamos uma decisão para este Natal: nada de presentes! Nossos pais adoraram a ideia, assim como a minha sogra. Então ficou combinado: não vamos trocar presentes entre a família. No dia 24, vamos comer, beber e aproveitar a noite. E só 🙂

Essa não é uma decisão radical e já apareceram algumas exceções. Minha vó foi a primeira a dizer que está fora, hahahah. Ela não resiste às compras e, como faz há décadas, já deve estar planejando os presentes de cada filho e neto.  Vamos participar normalmente dos grupos de amigo oculto, já que essa é uma oportunidade incrível de rever amigos e confraternizar.

Minha mãe ficou com dó de deixar as crianças sem brinquedo, então elas também ficaram de fora do plano. Mas isso não significa que vamos gastar uma fortuna em brinquedos. Aliás, aqui em casa já compramos os (poucos) presentes que as crianças ganharão. Aproveitamos as promoções de novembro e conseguimos coisas ótimas entre R$ 30 e R$ 50. E não precisaremos enfrentar shoppings lotados em dezembro, o que já é um sucesso!

Foi um pouco difícil convencer o marido, mas ele gostou da ideia de economizar e acabou topando. É uma tentativa e ainda pode passar por ajustes, mas acredito que o Natal nunca mais será o mesmo aqui em casa. Se você não fica confortável com a ideia ou sabe que algum familiar vai se ofender se não ganhar uma lembrancinha, adapte a proposta.

Reduza o número de presenteados ou o valor de cada presente. Em vez de comprar, faça você mesmo alguns dos presentes. Que tal biscoitos, uma carta, um panetone decorado ou velas perfumadas? As ideias são infinitas, e eu recomendo esse sabonete esfoliante que ensinei por aqui.

O principal objetivo de tudo isso é focar no que realmente importa no Natal. Pra mim, é a reunião da família e a gratidão por tudo o que aconteceu no ano. Pra você, pode ser o nascimento de Jesus ou o momento de fazer o bem aos outros. Pense no que te faz bem de verdade e foque nisso. Com certeza suas melhores lembranças de Natal não envolvem presentes 🙂

Beijos!

5 comments on “Por que eu não quero presentes de Natal?”

  1. Um dia tava conversando com minha mãe e resolvemos que esse ano também não vai ter presentes lá em casa! Como ela mesma disse, já temos tudo o que precisamos e comprar presente por obrigação é muito chato. Já que não temos família grande e nem tradições natalinas, vamos almoçar ou jantar juntos e pronto! 😉

    • Que bom, Marina!! Acaba que compramos só por obrigação mesmo, aí não vale. Jantar juntos é bem melhor 🙂

  2. Comprei muito pouco no natal, as crianças foram a exceção.
    A páscoa está chegando e vou fazer a operação inversa, até aqui nunca comprei ovo de páscoa para meu filho de 7 anos, achava muito desnecessário e capitalista. Eu comprava brinquedos, bombons, doces e barras de chocolate, me negando a pagar fortuna por 300g de chocolate com um brinquedo de 2,00. Só que nesse ano ele quer o kinder ovo grande, e não vi problema em atender a vontade dele, agora que ele entende, de fato quer, e não estou cumprindo protocolo. Economizei até aqui, agora vai rolar o ovo para ele. São casos e casos. Bjsss

    • Concordo com você, Verônica! Não adiante ser radical e excluir tudo da nossa vida. Acredito que dinheiro é para gastar com aquilo que nos faz feliz. E o que é mais lindo que uma criança realizada com um presente? 🙂 Vai fundo no kinder ovo! Beijos 🙂

  3. Perfeito !!!! Amei a idéia vou tentar, será um alívio tenho certeza, e comemorar o verdadeiro sentido do nata, que é o amor, o nascimento de Jesus, ao invés de ser um sufoco lembrar de todos que temos que presentear sem esquecer de ninguém e ficar com um cartão na hora da troca de presentes, ufa!! Bjss flor, sucesso <3

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